Sem um bom titulo.

Só era quase 30 e eu tinha tanto a contar, e nem me empolgo, muito menos já nem tenho mais ansiedade.
Placebo que a saliva me causa, e eu ainda não sei ganhar dinheiro.
Hoje eu fiz a barba achando que eu ia me sentir mais novo.
Não tenho mais Vó, nem Vô, e nem alguns amigos.
Eu deveria saber ganhar dinheiro, mas só o que sei é perder tempo.
Amores e romances em penhascos de espelhos, que quando pulamos, nos vemos em desesperos. Que quando nos esbarramos no chão, nos vemos em vão.

Mulheres

Vivi dias com ela, e foram momentos nas quais não esqueço. Logo em outros momentos, tive dias junto com aquela outra. E sempre foi assim, outra, e outra, há outra, como uma fila desorganizada.
E em grandes momentos de crise, tudo o que eu dizia não passava de garranchos, e o que eu tentava dizer parecia outra linguá, e quase sempre eu tinha que ser o surdo e o mudo, mesmo, escrevendo grandes textos simplórios, com significados singulares.
O bang me acerta também, eu também sei pular, cair também, e morrerei.  E o melhor, dias, dias, os dias, aqueles dias, são com seus grandes momentos.

Chunky, a volta.

Era aqueles olhos negros que me refletia, em planto e  barrancos, sem paredes para se apoiar, atrasados pés de pernas desequilibradas, e tudo rodava, tudo roda, que hoje eu te quero e amanha te quero mais, mais te ver já não é tão bacana.
Tão degradante não conseguir se segurar. – Olha lá, veja o fim, veja como me apoderei de ti e logo me perdi. A barra está pesada, e o vestido preto rasgado te devolvi um no valor do mundo e te viste para um novo show.
E o tiro que levei foi para me acostumar, que logo que eu receber um bang de uma 12, e dessa, e  desse buraco na cara, eu não voltaria nunca mais. Mesmo. Que mesmo. Mesmo que eu. – Ta legal, seu poder de sedução me atrairia de volta.

Chunky

Rasguei tuas roupas e me banhei em tez, fui fundo, fui longe, e não pudi deixar de pensar como atravessei a linha de chegada. Pura fantasia.
Me fantasiei, e você se produziu, transparente decotes e um salto alto, vestido preto da cor dos teus olhos, e eu não consegui, me permite, mal posso esquecer a lingerie toda picada no chão. Não me intervi.
Completamente intervenção, toda recadada, bandida, face maléfica, e eu só me entregando, contando crimes, os beijos intermináveis,  eu estava preste a levar um tiro.
E levei um bang, bem no coração, e ela só risada, pronta para me empurrar do precipício, eu gosto de flutuar, de me sentir voando.
E sai batendo as asas, e fui logo esmurrando meu cupido, e ainda lembro do hotel cinco estrelas, a bebida mais caro que um homem poderia comprar, a transa mais fodida que uma mulher poderia dar. Cacos, vestígios e sangue derramado. Eu amo odiando. Nus.

De uma vez por todas…

Mais Heitor estava crescendo, e a vida como sempre nos enche de perguntas, o pai vê o filho com uma carinha triste, logo um garoto de cinco anos de idade.
– Filho, o que quer ser quando crescer?
Com  aquela voz não muito formada, o filho responde.
– Astronauta.
O tempo passa,  e o engraçado é que poucas coisas deixa de mudar em uma pessoa  conforme a  vida. O semblante do garoto estava com aquela ar de tristeza.
– Filho ?
– Diga minha mãe?
– O que quer ser,  fazer da vida?
– Astronauta.
É a vida, temos que trabalhar, estudar, criar uma forma de conforto para o futuro, mas Heitor já com seus longos pouco 18 anos parece mais perdido do que nunca.
– Filho, estamos preocupados com você, está na hora de estudar.
– Eu vou, vou ser astronauta.
Foi quando surgiu a pergunta
– O que tem em ser astronauta ?
– Assim eu posso decolar desse mundo de uma vez por todas!